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01 outubro 2020

Glassine

Na filatelia, vamos encontrar o glassine principalmente em:

1) Envelopes confeccionados especialmente desse material;

2) em páginas intercaladoras nos classificadores;

3) nas tiras de certas marcas de classificadores;

4) Charneiras. (para os Fila-Jumentos que ainda usam isso...).

Antes de mais nada, vamos dizer o que NÃO É glassine e quais as diferenças:

Glassine NÃO É papel manteiga, e NÃO É papel vegetal!

Embora seja (de longe) visualmente parecido, e inclusive nos primeiros estágios de fabricação sejam idênticos, o papel manteiga vem em rolos, é vendido em supermercados e serve para culinária, não para coleções. É um papel tratado com silicone, e algumas marcas vem, inclusive, untadas com alguma gordura vegetal, para que as receitas não grudem nas formas ao irem pro forno. (Apenas imagine isso sendo usado pra armazenar selos, pra terem noção do tamanho do absurdo que é...).

Também já vi confundirem com “papel vegetal”, ou chamarem o glassine por esse nome. Realmente são fisicamente parecidos, mas são papéis totalmente diferentes e com propriedades diferentes. O Papel Vegetal (também chamado de “papel transparente”) vem em resmas, é vendido em papelarias, e serve principalmente para desenho. Quando manufaturado com baixíssima gramatura, é chamado “papel de seda” e é encontrável em cadernos escolares para desenho ou em rolos, para fazer pipas para crianças. Em boas e caras marcas, como Canson, é feito um refino mecânico da fibra de celulose, criando uma fibra gelatinosa, onde quase todo o ar é excluído das fibras, tornando-o translúcido, mesmo em gramaturas tão altas quanto 280g/m². Mas no geral, é um papel cuja polpa foi tratada com ácido sulfúrico (!!!) para se tornar translúcido e em seguida é calandrado (passado entre vários rolos de aço aquecidos e polidos). Possui altíssima umidade interna (às vezes mais de 50%), e ainda possui baixa opacidade, permitindo que a luz passe.

Ou seja, o papel vegetal é ácido (a maioria das marcas), possui alta umidade, e permite alta iluminação. Imagine um tal material sendo usado pra guardar selos...


Agora, sobre o GLASSINE:

O GLASSINE, também chamado (agora sim, na forma correta) de “papel cristal”, ou “papel pergaminho”, é justamente o OPOSTO do papel vegetal. É um papel finamente texturizado, semi-transparente, livre de ácidos, (pH neutro), tratado com glicerina (ou parafina), tornando-o REPELENTE À UMIDADE, muito mais resistente contra o ar, (poluição, poeiras, etc), óleos e umidade do que qualquer outro tipo de papel.

Logo, serve para arquivar materiais que são frágeis à luz, umidade e oleosidade, como uma excelente barreira de proteção. Isso pode incluir não só selos, como também fotos, negativos fotográficos, postais e outros objetos planos. Na filatelia, protege os selos da luz (evitando desbotamento de cores), protege da umidade (evitando assim o surgimento de “ferrugem” nos selos), e protege as peças da oleosidade das mãos e acidez de outros papéis. Protege também contra traças, já que estas não gostam de papel parafinado.

No caso dos envelopes, uso-os pra armazenar duplicatas de selos de minha coleção, como tantos outros filatelistas fazem, em todo o mundo. Para maior durabilidade, armazene os envelopes em uma caixa de plástico, acrílico ou de papel acid-free (livre de ácido), e coloque alguns saquinhos de sílica-gel dentro da caixa. (Se sua casa é infestada de BICHOS, ponha uma bola de naftalina dentro).

 

 

São encontrados principalmente nas casas filatélicas de renome e com comerciantes de boas marcas, em diferentes tamanhos e gramaturas, (quanto maior a gramatura, maior o nível de proteção), e é material importado. Não há fabricação de Glassine no Brasil.

Os envelopes glassine são excelentes “cartões de visita” e uma maneira muito profissional de se enviar selos a alguém, podendo ter sua logomarca impressa ou carimbada nos mesmos, o que é positivo a longo prazo, já que os colecionadores NUNCA os jogam fora. Há de se lembrar também que, qualquer leve umidade no fluxo do correio, p. ex. na bolsa do carteiro em um dia chuvoso, uma van de correio úmida, ou como já ocorreu comigo: uma caixa de correio ao ar livre em um dia chuvoso, que foi esquecido de conferir se o correio já passou, fará com que selos MINT dentro das cartas colem uns nos outros. Hoje tenho selos caros, comprados mint, mas que estão novos sem goma na coleção, pois tive que lavar pra desgrudá-los. Se estivessem em envelopes glassine, estariam protegidos.

O glassine não é resistente a umidade atmosférica e a iluminação, especialmente raios ultravioleta. Por isso, com o tempo, vai se tornando mais frágil, às vezes quebradiço, e fortemente amarelado, até tons marrons. Quanto mais umidade e iluminação, mais rápido será processo de envelhecimento. Quando isso ocorrer, chegou a hora de substituir. Se o glassine em questão são as páginas intercaladoras dos classificadores, então é um indicativo de que chegou a hora de trocar o classificador.

Algumas criaturas tem vendido, em sites de compras, envelopes glassine antigos já bastante amarelados e até mesmo em tons marrons, como sendo “material vintage”. E o pior, vi filatelistas comprando isso alegremente (e isso me motivou a escrever esse artigo). Esse material não serve para absolutamente NADA no que diz respeito a filatelia ou arquivística de materiais, são glassines que já chegaram ao final de sua vida útil, não protegendo mais o material contido neles contra a luz, oleosidades e umidade, e portanto, o seu único destino possível é ser deitado ao lixo. Você pode confirmar essa informação com um museólogo.

Em resumo: Tem que estar branquinho. Escureceu, amarelou, ficou marrom? LIXO.

Pra finalizar: CUIDADO com o “glassine” chinês (as vezes vendido como “nacional”): De baixíssima qualidade, e baixíssima gramatura, tão leves e finos que você quase poderia cuspir através deles, provavelmente feito de estoque de papel VEGETAL de baixa qualidade, altamente ácido, muitas vezes sendo um mero PAPEL ENCERADO (portanto, gorduroso). Na maioria das vezes, são feitos para ALIMENTOS, e cortados em formato de ENVELOPES. Um verdadeiro PERIGO para os selos, que eu já tive o desprazer de encontrar em casas filatélicas no Brasil. Ponha seus selos neles, e os verá rapidamente criando “ferrugem”. Você saberá diferenciar o GLASSINE do lixo chinês principalmente pelo preço: O verdadeiro glassine custa, em média, US$ 60 (dólares americanos) pra cada 1.000 unidades, e após ter glassine verdadeiro em mãos, não será mais enganado, pois a diferença física é grande.

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30 setembro 2020

[LIVRO] «The World Encyclopedia of Stamps & Stamp Collecting», de James Mackay

Adquiri recentemente essa obra, através do site Amazon.com americano.

Confesso que fiquei surpreso com a qualidade de impressão: Capa dura, folhas internas em papel couché de alta qualidade, o livro é até um pouco pesado pro seu tamanho. São 256 páginas, formato A5, muito, mas muito ricamente ilustradas a cores.

Na minha modesta opinião, embora em inglês, é um excelente livro pra quem está começando na Filatelia.

Pra filatelistas experientes, a obra é inútil, pois as informações ali contidas ou já são sabidas, ou são prática corriqueira.

A obra é dividida em duas grandes partes:

Na primeira parte, chamada «Um Guia para Colecionar Selos», explica desde aquilo sobre o que é um selo postal e o que não é, (selos fiscais, entre outros…), a história da criação do selo postal, com Rowland Hill na Inglaterra de 1840, as diferentes formas de apresentação dos selos, i.e., folhas, blocos, rolos, cadernetas, e até itens de papelaria postal, como inteiros postais, etc. Explica também sobre as diferentes ferramentas de uso do filatelista, tal como lupas, pinças, odontômetro, etc, os diferentes serviços dos selos (emissões regulares, comemorativas, oficiais, taxas, correio aéreo, etc.). Em seguida, sobre como e onde obter selos, como destacar os selos das cartas, como armazenar a coleção (se em álbuns ou classificadores), uso de hawid ou charneira, etc. Além disso, explica sobre os diferentes tipos de coleção: Por países ou por temas. Por fim, fala ainda sobre falsificações, ensaios, provas.

 

Na segunda parte, chamada «Diretório Mundial de Selos», fala um pouco sobre as emissões dos principais países, separados por continente. Essa parte é boa pra quem está iniciando na Filatelia e nunca ouviu falar em determinados lugares ou administrações postais que um dia emitiram selos.

No entanto, cabe ressaltar: O livro é americano, e aqui nós temos a visão filatélica de quem coleciona selos e os cataloga usando o catálogo SCOTT. Esta, também é, obviamente, uma visão POLÍTICA. A maneira como os países são classificados nesse diretório, é idêntica a do catálogo Scott, ou seja, os selos dos EUA são prioridade aqui, altamente detalhados, em segundo plano vem os da Grã Bretanha e suas colônias, enquanto que do resto do mundo, é tudo bastante superficial e muito (estupidamente) estereotipado. A ênfase maior é em selos comemorativos e temáticos. Pro Brasil, há uma página com um resumo extremamente simples.

Além disso, não possui textos NEUTROS POLITICAMENTE como é p. ex. um texto na visão filatélica do catálogo MICHEL. Fala-se muito da política AMERICANA para aquela região, mais do que sobre os próprios selos emitidos pelo local.

Cito o exemplo mais gritante nas páginas que tratam dos selos de países inimigos dos Estados Unidos, como p. ex. o Irã, onde se fala em “fundamentalismo” e “terrorismo”, o Terceiro Império Alemão, (III Reich), onde se fala em “racismo” e “atrocidades”, e na parte da Alemanha Pós-Guerra, sobre o quanto os Estados Unidos foram bonzinhos em ajudar a Alemanha “libertada do fascismo” a se reconstruir com o “Plano Marshall”, ou do Afeganistão, que fala em “local repleto de cavernas em montanhas, onde os terroristas mais perigosos se escondem”.  Mesmo que tudo isso seja verdade, penso que não é um assunto pra um livro de FILATELIA.

Ainda, sobre os países da América Central, que são tratados como verdadeiras republiquetas bananeiras, que vivem emitindo selos homenageando personalidades dos Estados Unidos, (quase que para puxar o saco americano), e no quanto os americanos são bons, pois construíram o Canal do Panamá, levando a civilização àquela região. Ainda, os países da Europa Oriental, que são tratados como meros satélites da Russia, ou os países do Oriente Médio, num só capítulo de 2 páginas chamado “Estados do Golfo”, onde praticamente só se fala em Petróleo, e nos países dos Emirados Arábes (Fujeira, Ajman, etc) que emitiram muitos selos homenageando a [cultura] Americana. Mas aqui, nem uma só palavra sobre o fato de que estes são selos condenados pela U.P.U., e não devem constar em exposições filatélicas. E claro, sobre a Coréia do Norte, cujo texto ressalta muito mais a propaganda anti-americana, e a ameaça nuclear, do que os próprios selos em si.

Pra finalizar, o capítulo sobre a China, onde não se fala uma só palavra crítica ao regime, apenas elogios, inclusive sobre a terrível “revolução cultural”, e ainda tem um capítulo especial dedicado a selos do Calendário Lunar Oriental e mais um sobre “Territórios Chineses” (Hong Kong, Macau, e pasme, TAIWAN). A razão está na contracapa do livro, abaixo do código de barras: “PRINTED IN CHINA”. Claro, o regime do Partido Comunista Chinês jamais permitiria que fosse impresso na China um livro que falasse mal do regime local…

Enfim, nessa parte, é a mais pura, e a mais simples visão norte-americana do mundo for dummies.

 

O livro custou-me US$ 15 e mais US$ 25 de taxa de entrega (via DHL) e impostos cobrados pelo Governo Brasileiro (mesmo que esse governo diga que não faz taxação de livros, o imposto já é cobrado na fonte, na hora da compra ainda no site Amazon). Demorou incríveis TRÊS MESES pra chegar, sendo quase 2 dias (menos de 48 horas) pra sair de New York e chegar no limbo curitibano dos correios do Brasil, também conhecido como “CTCI Curitiba” (Centro de Tratamento de Correio Internacional), de Curitiba-PR, e mais 88 dias pra sair de Curitiba e chegar até Goiânia, onde resido, provavelmente trazido a pé pelo carteiro, ou quem sabe, montado num preguiçoso jegue. Confesso que estava até desesperançado de ainda receber a encomenda.

Preço final em reais, uns surreais R$ 225.

Embora a parte do «Diretório Mundial de Selos» tenha essa visão política americana simplista, estereotipada, e, porquê não, IMBECIL do mundo, e fale mais disso do que de selos, a primeira parte «Um Guia para Colecionar Selos» é realmente boa pra quem está começando na Filatelia. Recomendo a compra do livro se você conhece alguém que esteja nos Estados Unidos em viagem e poderá trazer a obra consigo. Importar, comprando pelo site, pagando as taxas e remessa, não compensa, pelo valor.

21 setembro 2020

O selo «Potschta» da Zona Soviética de Ocupação na Saxônia Oriental, na Alemanha

«Potschta», emitido pelos correios de Dresden, Saxônia Oriental.
Sonho de consumo de muitos filatelistas.
Cotação € 600 mint, € 240 sem goma ou charneira, € 800 sobre envelope

O suposto primeiro selo postal do pós-guerra na Saxônia Oriental, (Zona Soviética de Ocupação na Alemanha), que por muito tempo foi considerado seguro, foi o chamado “Potschta”. Este selo postal foi produzido localmente na cidade de Dresden, por iniciativa dos correios de Dresden (Oberpostdirektion ou OPD Dresden) com uma tiragem de 1.030.000 exemplares.

Um funcionário dos correios, gerente da agência A16 de Dresden, chamado Ernst Friedrich Schneider, ficou encarregado do design e da impressão. Foi planejado para ser emitido em 21 de Junho de 1945, para coincidir com a invalidação dos selos provisórios com a efígie de Hitler pré-obliterados com cortiça e tinta preta.

No entanto, as primeiras impressões, com tinta à água, aquarelável (vermelho, fluorescente vermelho) não agradaram, e a cor não bastaria para toda a emissão. Então, uma segunda impressão foi feita, com tinta à óleo (vermelho escuro, fluorescente carmim escuro).

Uma outra versão diz exatamente o contrário: que primeiro foi feita a impressão em tinta a óleo, mas como a mesma estava ficando escassa, gradualmente foi sendo adicionado tinta à água aquarelável. Os selos que no final eram impressos somente em tinta à água, foram imediatamente descartados, e as cópias existentes devem sua existência devido ao furto. Já em 1948, o boletim «Collector’s Express» relatou que os selos «Potschtas» em tinta à água estavam circulando em grandes quantidades. E isso gerou uma investigação policial da qual falarei mais adiante…

Todo modo, a data de emissão foi postergada para 23 de Junho de 1945, sendo postos para ser emitidos os selos impressos com tinta à óleo.

Preços de catálogo imponentes - especialmente para cópias em envelopes - documentam a raridade da “Potschta” da Saxônia Oriental. É uma peça que falta em MUITAS coleções, (na minha, inclusive…) e é objeto de desejo dos filatelistas que colecionam as emissões das Zonas de Ocupação Aliadas.

E aqui começa a fantástica “saga” desse selo, uma história conhecida pelos filatelistas, e relatadas exaustivamente nos catálogos e na literatura filatélica, há quase 70 anos:

Apenas oito horas após ser colocado a venda, o Comando Soviético abruptamente mandou retirá-lo de circulação, por conta do texto “Correios” (ПОЧТА) (pronuncia-se “Potschta”) em russo, na parte inferior do selo.

Nem o prefeito nem o comandante russo se opuseram ao projeto desse selo. No dia da venda do balcão, as amostras foram novamente enviadas à cidade e à administração militar, mas depois de algumas horas os correios receberam uma ordem surpreendente para suspender imediatamente a venda do “Potschta” e destruir o bloco de impressão e os selos. Até então, porém, 14.500 exemplares já haviam passado pelo balcão dos correios e cerca de 500 foram enviados por correspondência.

 

A história não parece impossível. Sempre houve paradas de vendas semelhantes. E o gerente Schneider evidentemente testemunhou esses eventos.

Mas… Apenas alguns anos atrás, o filatelista Wolfgang Strobel, do consórcio “Arge Deutsche Notmaßnahmen ab 1945 e.V.” conseguiu provar que um caso sem paralelo de fraude tem prejudicado colecionadores por décadas, e a história postal teve que ser reescrita depois de quase 70 anos.

Ainda no final da década de 1940, alguns examinadores expressaram suas primeiras dúvidas sobre a existência de "Potschtas" devidamente – e perfeitamente - carimbados. Mas a história dos selos retirados já estava ancorada no cânone, publicada em boletins e em catálogos.

O Dr. Wilhelm Schröder, especialista nos clássicos da SBZ (Sowjetische Besatzung Zone, Zona Soviética de Ocupação), autor da obra «Das Werden einer demokratischen Postverwaltung», (“Transformação de uma Administração Postal Democrática”), elevou o episódio ocorrido em Dresden ao patamar da História ainda em 1945.

Quase 50 anos depois, tanto colecionadores quanto especialistas criticaram alguns dos carimbos postais. Em 1993, descobertas de arrepiar os cabelos, envolvendo aquilo que há de mais alemão possível na face da Terra, ou seja, CHUCRUTES E PRESUNTOS, sobre os carimbos «DRESDEN A 16 bb» vieram à tona. Ironicamente, o chefe da administração do distrito postal de Dresden em 1945, Albert Stürmer, desempenhou um papel proeminente e duvidoso.

O funcionário sênior do correio, um judeu chamado Albert Stürmer, teria guardado 50 folhas do «Potschta». Além disso, outras folhas estavam guardadas em seu escritório, de onde foram retirados os modelos enviados ao prefeito local. E, graças a um acidente, uma porção mal embalada de chucrute foi derramada na mesa de Stürmer, sob as folhas de selos, de modo que os selos grudaram uns nos outros. Ele os levou pra casa, separou as folhas intactas e lavou os selos grudados com leite azedo. Com a ajuda de um amigo, ele teria preparado uma reutilização em grande escala dos selos “resgatados” durante o inverno. Assim, envelopes foram fraudulentamente criados, inserido endereços à máquina ou manuscritos, franqueados com o selo “Potschta” previamente lavados e regomados, e no início do verão de 1946, um suculento presunto foi oferecido a um funcionário dos correios da agência A16, para persuadí-lo a fazer, durante a calada da noite, um cancelamento postal legítimo nos envelopes assim fabricados. Assim, os «Potschtas» com o carimbo que os experts atestam como “verdadeiro”, «DRESDEN A 16 bb» são todos forjados, com datas retroativas.

Exemplo de envelope “circulado” com o selo «Potschta».
Todos os exemplares conhecidos são carimbados em Dresden, na agência A16, sempre o mesmíssimo carimbo.
O que era pra ser algo lógico, pois o selo somente circulou por algumas horas, na mesma agência A16,
se tornou na verdade a principal razão para suspeitas.
Existem carimbos de outras agências, como A44, etc, mas estes os “experts” os taxam como falsos.

 

O fato de que a história do “Potschta” (de venda por poucas horas) poderia ter outras falhas, apenas gradualmente se tornou aparente. O carimbo «DRESDEN A 16 ee» parecia confirmar que só tinha sido utilizado em uma agência, a A16. Isso deu origem à suspeita de falsa carimbagem. Julgamentos moderados, no entanto, falavam de “cancelamentos por cortesia” e “pós-cancelamentos” ou mesmo “por engano” quando um “Potschta” trazia este carimbo.

O número de cancelamentos considerados corretos e genuínos diminuiu continuamente. Mas obviamente ninguém queria olhar de perto. A lenda da parada das vendas em 23 de junho de 1945 talvez tenha ficado gravada profundamente na memória coletiva. Mas quando o especialista em selos da Saxônia Oriental, Wolfgang Strobel, deu uma olhada mais de perto, ele se deparou com uma descoberta angustiante.

Em sua busca, Wolfgang Strobel se aprofundou, pesquisou arquivos e não hesitou em vasculhar montanhas de arquivos. Ao fazer isso, ele descobriu uma fraude em grande escala:

O “Potschta” evidentemente nunca tinha ido ao balcão dos correios para venda.

Os selos carimbados foram todos posteriormente cancelados com carimbos originais com datas retroativas, ou seja, forjadas. Carimbagem fraudulenta.

Toda a história da parada das vendas, apenas algumas horas após o início, era fictícia.

Os criadores da falsa história foram os funcionários responsáveis ​​pelos postos dos correios, sob cuja égide a emissão fracassou.

Na verdade, os selos foram retirados antes da venda fictícia.

É por isso que as seguintes emissões impressas e postas em circulação (sem a inscrição ПОЧТА) já estavam completas e à venda apenas seis dias após 23 de junho de 1945. Isso foi provado por uma carta da Oberpostdirektion (OPD) de Dresden. Somente em 3 de julho de 1945, o Presidente do OPD, Dr. Johannes Kneschke, entrega 25 folhas pra destruição. Aparentemente, a ideia amadureceu lentamente, mas ainda mais profundamente. Duas semanas depois, em 16 de julho, o Dr. Kneschke entrega novamente 100 folhas, no dia seguinte mais 1000.

Em 5 de julho, o vice de Kneschke também entrega mais 50 folhas. Seu nome? Albert Stürmer.

Os dois altos funcionários possuíam 117.500 exemplares. Os “Potschtas” entregues teriam sido destruídos um dia após a última entrega.

Embora as matérias-primas devam ser recicladas de acordo com a regulamentação, os responsáveis documentaram a alegada “incineração” dos estoques. Então, eles lançaram as bases para a lenda contada no início, a fim de encobrir seu golpe. A pedido do «Collector's Express» em 1948, o OPD Dresden confirmou que os selos impressos em tinta a óleo definitivamente ultrapassaram o balcão, ou seja, foram postos a venda por algumas horas, e não quis comentar as “controvérsias privadas”. O número de 14.500 “Potschtas” vendidos, no entanto, se tornou uma "exatidão inviolável", uma CERTEZA, por 70 anos...

 

Folha completa do selo “Potschta”, com certificado de autenticidade, sendo ofertado no site Delcampe por € 3.000.
Uma pechincha, se compararmos com os valores com os quais os exemplares isolados são vendidos…

 

Surpreendentemente, os acontecimentos em torno do “Potschta” já haviam sido afetados por investigações policiais no início da década de 1950, feitas pela KRIPO – Kriminalpolizei, a Polícia Criminal, quando foi investigado o furto de selos “Potschta” impressos em tintas à água (aquarelas) e que estavam em grande quantidade no mercado. O principal suspeito? Adivinha só: O sr. Albert Stürmer. Nessas atas da polícia criminal foi expressa a autuação de que nenhum “Potschta” havia sido vendido no balcão. Os balconistas dos correios, interrogados, se envolveram em declarações falsas e, mesmo então, veio à luz que o presidente do OPD, Dr. Johannes Kneschke, generosamente deu “Potschtas” em folhas - também para o gerente da agência, sr. Schneider, que diligentemente espalhou a história da venda interrompida por meio de seus relatórios. Até um selo foi encontrado com a data "23.6.45" definida. No «Collector's Express» nº 3 de 1951, entretanto, foi relatado que as alegadas 14.500 cópias "vendidas" somente aconteceram através do acesso de "ex-funcionários dos correios". Curiosamente, esses achados não influenciaram a interpretação comum - até que todas as indicações foram reunidas recentemente pelo filatelista Wolfgang Strobel.

A descoberta da fraude gerou discussões acaloradas. Muitos colecionadores, com razão, com seus selos caríssimos e com certificados de autenticidade, se sentiram enganados e relutaram em olhar a triste verdade. O assunto é escandaloso à primeira vista. O fato de os documentos usados ​​por Strobel estarem todos disponíveis ao público, mas até então ninguém se preocupou em descobrir o verdadeiro pano de fundo do “Potschta” é curioso e provavelmente simplesmente humano.

Mas ninguém pode tirar dos colecionadores e especialistas da Saxônia Oriental que eles têm um testemunho realmente emocionante sobre a filatelia alemã com o “Potschta”, e também a evidência de uma história de crime aventureira. Só porque os selos de fato não foram emitidos, não significa que percam o seu valor.

No entanto, os selos carimbados, agora têm de ser vistos como realmente são – TODOS COM CARIMBOS FRAUDULENTOS - e não como os falsificadores queriam que fossem (verdadeiramente circulados por algumas horas). Os novos, como NÃO EMITIDOS, e não como “emitidos por somente poucas horas em um único dia”, pois não chegaram a ser postos a venda. São documentos da história contemporânea e, de qualquer forma, contam uma história emocionante dos primeiros meses da filatelia do pós-guerra.

Recentemente, em 2015, o catálogo MICHEL alterou a classificação do “Potschta”. Antes era catalogado como selo MiNr. 41, e agora é MiNr. B I (não emitido).

Deixo no ar duas dúvidas pessoais:

1) Se o Alto Comando Soviético mandou retirar o “Potschta” por conta da inscrição em russo (o que de fato não poderia acontecer, já que se está em território alemão, a inscrição nos selos deve estar somente em alemão, pois a derrota militar da Wehrmacht – Exército Alemão - não pressupõe o fim de um povo e de um Estado), seja por iniciativa própria ou por reclamação dos outros aliados… Porque as emissões da Zona de Ocupação Francesa, com a inscrição «ZONE FRANÇAISE», inclusive impressas bem depois do “Potschta”, em Dezembro de 1945, também não foram retiradas de circulação ou não foram objeto da mesma reclamação??

2) Após ficar HORAS pesquisando imagens dos envelopes supostamente circulados com o selo “Potschta”, notei o seguinte: Todos são muito parecidos. Mesmo formato de envelope, mudando apenas 2 ou 3 cores do papel do envelope. Alguns escritos à máquina, sempre no mesmo formato e cor das letras, outros em manuscrito, com caligrafias idênticas. Todos com o selo “Potschta” isolado, nunca em pares, tiras, blocos, ou misturados a emissões anteriores (efígie de Hitler sobrestampada à cortiça, com tinta preta). Todo mundo enviando cartas de primeiro porte básico, de 20 gramas? Nenhum envelopinho com mais volume (e claro, sendo necessário mais selos pra pagar o porte)? Estranho… E também NUNCA NENHUM ENVELOPE REGISTRADO. Cartas registradas não podem ser confeccionadas “de favor”, estas precisam obrigatoriamente passar pelo sistema do correio. Ninguém nunca desconfiou de nada por 70 anos???

Exemplos de 3 envelopes com o selo “Potschta”, todos com a MESMA caligrafia. Nos dois primeiros envelopes, a coisa aos meus olhos é tão ridícula que até mesmo o ângulo de ataque do carimbo aplicado é o mesmo, como se o carteiro estivesse com uma pilha de cartas na mão e carimbando-os em sequência. Isso é apenas uma pequena amostra, é possível encontrar na internet DEZENAS de envelopes idênticos, com a mesma caligrafia, e todos “expertizados” BPP. Isso pode ser explicado com um remetente – provavelmente comercial - postando dezenas, centenas de cartas de uma vez. Mas acontece que quase todo o material que existe hoje tem a MESMA caligrafia. Foram supostamente 14.500 selos vendidos. Ninguém mais mandou cartas nessa agência, nesse dia? O último envelope, inclusive, “endereçado” a Friedrich Schneider, sim, ele mesmo! O próprio gerente da agência A16, onde a peça foi carimbada, e que também participou da criação dos selos e da posterior fraude, junto ao sr. Stürmer. É MUITA COINCIDÊNCIA!!! E mais, ele morava junto ao sr. Karl Lindermann, o destinatário do primeiro envelope? Bizarro…  Lembre-se: € 800 euros a cotação de cada um no catálogo MICHEL…

 

Cabe ressaltar: O selo “Potschta” continua sendo um selo bastante digno de estar em uma coleção. Continua bastante cobiçado. Eu inclusive quero um e um dia terei! Apenas sua história verdadeira é que foi finalmente revelada, e sua classificação em MICHEL alterada, sendo ele um não-emitido, e seus exemplares carimbados, são feitos de favor, no qual o responsável, um balconista qualquer do correio A16 de Dresden, em conluio com Stürmer, ganhou um reles presunto em troca do serviço fraudulento de carimbagem com datas retroativas, forjado para fins filatélicos. (A guerra havia terminado apenas 2 meses antes, em Maio de 1945, e muitas cidades estavam destruídas, Dresden especialmente foi quase varrida do mapa, tamanha a violência dos bombardeios aliados, no qual mais de 100.000 pessoas morreram somente nessa cidade em apenas 3 dias de ataque – todos civis, um crime de guerra dos aliados –, e uma peça de presunto naqueles tempos terríveis era um bom pagamento pra algum servicinho “extra”).

Se a cotação dos exemplares novos vai subir ou descer, só o tempo dirá…

Já a cotação dos exemplares (fraudulentamente) carimbados, esse digo com certeza que vai cair significativamente.

Já é possível encontrar em leilões na Alemanha os envelopes, que antes disputados a tapa por € 800 de lance inicial, estão saindo agora por € 200, e com raros (talvez desavisados) compradores. 

Pra finalizar, menciono uma citação espetacular, do Boletim #72 do ARGE DEUNOT (ARGE Deutsche Notmaßnahmen ab 1945 e.V.), página 95, de onde retirei grande parte das informações contidas nesse post, e onde estão os documentos e fontes primárias dessa pesquisa do sr. Wolfgang Strobel. (O artigo todo tem 130 páginas, ricamente ilustrado com documentos da época, e aqui no blog fiz um resumo). Segue o trecho:

(…) em meados de Junho de 1950, o Ministro dos Correios e Telecomunicações informa o Chefe da Comissão Central de Controle do Estado em Berlim que o ex-presidente do OPD Dresden (Oberpostdirektion Dresden, os Correios de Dresden), o sr. Albert Stürmer, havia “realizado um negócio de um milhão de Marcos para si mesmo com o selo Potschta de 1945”.

Em 23 de Julho de 1950, ocorre uma busca domiciliar da Polícia Criminal na residência do agora demitido ex-presidente sr. Albert Stürmer, por causa do selo Potschta.

No dia seguinte, o sr. Albert Stürmer comete suicídio. (…)

É, meus caros… Onde a praga vermelha comunista põe o dedo, principalmente se está vendendo a preços altos, é de se esperar que haja alguma malandragem, alguma mutreta, algum rôlo, algum cambalacho, ou pra usar uma palavra muito em voga no Brasil atual, algum “malfeito”… Essa regra é INFALÍVEL. Para um comunista, o comunismo é para os outros, já pra si próprio o que vale é a forma mais selvagem possível de capitalismo, inclusive mediante fraude, além de sede de sangue e poder total. O que um comunista mais gosta, é de dinheiro. Dos outros, é claro! O sr. Albert Stürmer, do OPD Dresden (cujo assistente foi pago por ele com presunto pra carimbar os envelopes forjados) encheu profundamente os bolsos nos anos seguintes, com a venda dessas peças. E quando foi descoberto o seu golpe, após uma busca policial e na iminência de ser preso, se vitimizou e tirou a própria vida, pois certamente, na melhor das hipóteses, iria passar longos anos no xadrez no obscuro interior da ainda em reconstrução cidade de Dresden, na recém criada Alemanha Oriental.

Há de se ter OLHO VIVO no colecionismo, especialmente com peças caras e cobiçadas, e no caso de filatelia alemã, igualmente, para envelopes Zeppelin, muitos “circulados” de um único remetente. A quantidade que é possível encontrar somente numa busca na internet, pesquisando um único vôo, chega a levantar dúvidas se tudo aquilo caberia na área de carga dos famosos dirigíveis. Isso porque sequer mencionei as peças completamente falsas e fabricadas filatelicamente, algumas tão ridículas que o endereço do destinatário é escrito com caneta esferográfica, cuja só foi inventada nos anos 1950, sendo que o último vôo dos dirigíveis foi em 1937, com o fatídico acidente do “LZ-129 Hindenburg”.

E também com o selo «Vineta-Provisorium», um selo tipo “Germania” de 1900 “Reichspost”, cortado ao meio e sobrecarregado “3 PF” em violeta, o qual foi filatelicamente criado, inclusive com datas retroativas de carimbos, e que igualmente existem grandes quantidades de falsos completos no mercado.

E igualmente, com os selos da Alemanha MiNr. 909/910, «Parteiorganizationen Sturmabteilung (SA) und Schutztaffel (SS)» emitidos em 21 de Abril de 1945, com o exército russo já dentro de Berlin. É a última emissão do Reich Alemão. Os selos foram sem dúvida, emitidos, pois há registro documental da emissão. Mas cartas circuladas com o mesmo, como existem algumas por aí, com “certificados” BPP, acho bastante duvidoso. Os homens disponíveis estavam no front, seja no que restou do exército alemão, seja na milícia armada Volkssturm (que aceitava homens fora da idade militar, mulheres e até crianças). Haviam carteiros entregando correspondência debaixo de fogo de artilharia russa, com obuses, foguetes, bombas e tiros de metralhadoras .50 voando pra todos os lados em cada esquina de Berlin, nos últimos dias da guerra? Nem precisa ler bons livros acadêmicos pra entender como estava a cidade: Quem assistiu o filme «Der Untergang» (A Queda) vai ter uma idéia da situação de Berlin nesses dias. Quem eram esses corajosos carteiros? Na minha opinião, cartas circuladas com esses selos são uma fraude filatélica, igualmente criadas após a rendição alemã, com datas retroativas nos carimbos.

Falarei desses três em outros posts em breve. Os falsificadores da época não contavam que um dia, uma grande parte desse material estaria escaneado ou fotografado por milhares de vendedores e colecionadores pelo mundo, e com imagens acessíveis facilmente a qualquer um com internet. No mundo do colecionismo, se algo, por menor que seja, esteja suspeito ou levante dúvidas, a chance de ser uma peça falsa ou de fabricação fraudulenta é altíssima.

Quanto ao “Potschta”… O fato é que, passados 30 anos da queda do Muro de Berlin, muitos MISTÉRIOS da antiga Zona Soviética de Ocupação, posteriormente Alemanha Oriental, ainda estão por ser revelados, inclusive na Filatelia.

20 setembro 2020

Fita Protetora «ShowGard»

Nos últimos tempos tem havido uma escassez no mercado de fitas protetoras para selos. A razão é a seguinte: O fabricante das fitas nacionais «Maximaphil» faleceu, a produção foi encerrada por mais de um ano, até que o proprietário de uma casa filatélica adquirisse os direitos de produção. A produção voltou, mas está lenta. Além disso, as fitas importadas estão a preços proibitivos por aqui, por conta da alta cotação do Dólar e do Euro, além das absurdas taxas de importação, que costumam passar de 100% do valor do produto. Isso tudo quando o produto não é pura e simplesmente roubado retido na alfândega.

Adquiri recentemente um stock grande das fitas protetoras «Showgard». São fabricadas na Alemanha, gomadas no verso. A qualidade do material me surpreendeu, tão bom quanto o da marca «Hawid». Seguem imagens:

 

Esse conjunto específico vem em uma bandeja, (o que facilita MUITO na hora de guardar o excedente), com vários pacotinhos de fitas já pré-cortadas para tamanhos específicos de selos dos Estados Unidos. Todas as fitas são dupla solda. Existe também pré-cortado para selos do Reino Unido, e outros países, além do tradicional pacote de fitas sem corte que estamos acostumados, além de pacotes por kilo, com diversos tamanhos de fitas sem corte. As fitas dessa bandejinha são recarregáveis, ou seja, é possível comprar somente o tamanho específico que se quiser.

Uma pena que a marca nacional «Maximaphil» não venha assim também, em bandejinhas com tamanhos pré-cortados, ou por kilo.

Sobre as fitas protetoras, em geral, tenho a dizer o seguinte:

1) Charneira, JAMAIS. Nunca use charneiras, para absolutamente NADA. Charneira é coisa ultrapassada, estraga os selos, desvaloriza os selos “mint”. Sendo sincero mesmo, somente os Fila-Jumentos ainda a utilizam.

2) Não importa se seu sistema de classificação de selos seja por meio de álbuns ou classificadores. Use SEMPRE fitas protetoras. A marca das mesmas, se nacional ou importado, nesse caso, tem pouca relevância. Para álbuns não preciso comentar o motivo: São o único meio (além das estúpidas charneiras) no qual é possível por o selo na página. Mas no caso dos classificadores, é importante também utilizar fitas protetoras, por diversos motivos: Evita que os selos fiquem impregnados com poeira, ficando encardidos com o tempo; evita que a goma grude nos classificadores; evita que os bolsinhos dos classificadores rasguem os selos em uma retirada brusca; protege a denteação e os “confetes” da denteação, e PRINCIPALMENTE: Previne o surgimento de “ferrugem”.

3) Para o caso da utilização em classificadores, recomendo que usem a marca nacional «Maximaphil», principalmente, por a mesma não conter goma no verso. No nosso clima tropical, se seus classificadores estiverem recebendo uma umidade mais alta, as fitas importadas, que contém goma no verso, correm o risco de grudar no classificador. (Por isso mesmo o correto e ideal é manter os classificadores em um armário fechado, com vários saquinhos de silica-gel espalhados nas prateleiras).

4) No entanto, NÃO RECOMENDO O «MAXIMAPHIL» para selos NOVOS do Canadá (especialmente das décadas de 1960-70-80) e do Reino Unido, especialmente os selos «Machins» com a efígie da Rainha Elisabeth II. Experiência própria aqui: A razão é que a barra de fósforo existente nesses selos migra para o plástico transparente da frente da fita protetora. Não sei dizer porque isso acontece, mas só acontece no «Maximaphil».

5) Para a marca nacional «Maximaphil» recomendam, no caso da utilização em álbuns, que o mesmo seja colado com cola bastão, tipo «Pritt». NÃO RECOMENDO essa prática. Em pouco tempo a cola seca, fica vitrificada, a fita protetora se solta da página do álbum, e o selo corre o risco de se perder. Recomendo que colem as fitas nos álbuns utilizando GOMA ARÁBICA, encontrável em qualquer papelaria. Despeje um pouco de goma em um pires raso, ou a tampa de um pote, tipo as de margarina, bem planas e chatas, e aplique a goma na fita com cuidado, utilizando um pequeno rolo ou pincel.

6) A fita protetora nacional «Maximaphil» voltou a ser fabricada e a qualidade das soldas continua a de sempre, ou seja, soldas tortas ou em excesso, especialmente pras fitas com grandes tamanhos. Em um pacote que adquiri, perdi umas 3 ou 4 fitas ao cortar o excesso de solda. O preço aumentou muito também, e em uma compra em grande quantidade, mais vale adquirir um pacote por kilo das marcas importadas Leuchtturm, Lindner, Hawid, Prinz, Showgard, etc, do que o equivalente nacional. No final a diferença de preço é pequena, mas a diferença de qualidade é gritante.

DICA: Pacotes com 50g, 100g, 200g, 500g e 1 kg de fitas protetoras da marca LEUCHTTURM, assim como guilhotinas para corte, cola especial para fitas protetoras e esponja para umedecer a goma das fitas, são encontrados a venda com o amigo Nélio Oliveira, da Farol Alemão Coleções, o distribuidor oficial da Leuchtturm no Brasil. Ou direto pelo Whatsapp: (99) 98855-0000.

19 setembro 2020

[LIVRO] Brasil 1844-1846 «Inclinados», de Walter Gonçalves Taveira

Uma excelente obra sobre a segunda emissão de selos do Brasil, a série «Inclinados», que trata com detalhes sobre as origens e motivações que levaram o correio imperial brasileiro a emitir essa segunda série de selos, incluindo os decretos e legislações. Há um excelente estudo acerca da classificação universal dos selos da série «Inclinados» pelo tipo de papel, tipos e subtipos, apresentando ainda os maiores múltiplos conhecidos, exemplares em cartas, falsificações e fac-símiles, etc. Tudo o que pode ser dito sobre esses selos, está nesse livro. Fundamental para enriquecer o conhecimento filatélico.

Tudo isso apresentado em edição própria do autor, extremamente luxuosa, tamanho A4, capa dura encadernada em tecido com o Brasão do Império em baixo-relevo e inscrições em dourado, e incríveis 628 páginas em cor creme, costuradas. O texto é bilíngue Português e Inglês.

A obra recebeu diversas premiações em exposições filatélicas nacionais e internacionais.

O prefácio é de ninguém menos que o falecido Paulo Comelli, o maior estudioso da filatelia brasileira.

Na minha opinião pessoal, é literatura fundamental na biblioteca do filatelista brasileiro. Não dá pra não ter. É importantíssimo ler o seu conteúdo antes de se aventurar na compra dos caríssimos selos de 180, 300 e 600 Réis «Inclinados», não só para saber exatamente o que se está comprando e não ser enganado por falsificações de boa qualidade, mas também pra conhecer toda a história e detalhes pormenorizados por trás desses selos.

O livro pode ser encomendado diretamente com o autor, bastando escrever para wtaveira2010@gmail.com ou wtav@terra.com.br

23 fevereiro 2019

Duas Bizarrices da Filatelia Brasileira atual

Crio esta postagem pra deixar meus comentários a respeito de duas coisas bizarras na filatelia brasileira atual.

A PRIMEIRA, esse tal «Album Marek».

Conheci recentemente esse álbum Marek num encontro e fiquei chocado. De quem foi essa idéia cretina de se fazer folhas de álbum contendo espaços pra selos destacados dos blocos, quadras em diferentes posições, e se-tenants destacados? Não consigo crer que existam juntadores de selo (me recuso a chamar de filatelistas) que destacam se-tenants, rasgam blocos e picotam folhas que contém selos diferentes apenas pra preencher o espaço desse álbum. Tem que ser muito desinformado, um grande bobalhão, pra cometer tal atrocidade! Ninguém percebe o quanto isso é ridículo? BIZARRO.




Se-tenants, folhas com selos diferentes e selos destacados de blocos, assim como quadras em posições diferentes do projeto original (como apresentado nos Editais de Lançamento) não tem o mesmo valor de catálogo da peça inteira e completa e na posição correta, o valor é muitíssimo inferior. Tal premissa é válida em toda a filatelia MUNDIAL. Basta consultar os catálogos! Não acredita? Tenta vender seus se-tenant picotados ou quadras de diferentes posições no comércio filatélico. Ninguém os quer, muito menos pelo preço da peça inteira ou normal. Essa idéia imbecil provavelmente veio de algum grande comerciante que tem grande estoque e quer ver os próprios colecionadores comprando 2 ou mais peças e destruindo-as, pra fazer as restantes se valorizarem.

Pra piorar, vi hoje um comerciante anunciando em um “Informativo” que no suplemento 2018 desse álbum, o editor utilizou imagens de divulgação da ECT, no qual os blocos não aparecem com seu “apêndice” com o código de barras. Então o comerciante sugere que se RETIRE o código de barras dos blocos, para que caibam nas folhas do álbum! Ou seja, arruinar a peça em favor da folha do álbum! Inacreditável! Achei essa idéia muito esquisita, pra dizer o mínimo. Gostemos ou não do código de barras, (eu acho horrível) o mesmo faz parte da peça, foi assim oficialmente emitido, e destacá-lo é estragar a peça. A folha do álbum que se dane, o importante são os selos e de preferência tal como emitidos pelo correio.


A SEGUNDA, comprar cada estampa que surge dos tais selos personalizados.

É claro que você pode colecionar todas as milhares de diferentes estampas comerciais e particulares dos selos personalizáveis com imagens diferentes que surgirem, seja o mesmo emitido por particulares, (como eu ou você, que pode encomendar nos correios selos com sua foto ou seu logotipo), seja o mesmo emitido pelo próprio correio por contrato com alguma empresa qualquer e vendido livremente nas agências. O Catálogo RHM até os lista e enumera, pra quem acha isso bonito.

Agora, convenhamos que isso é uma gigantesca bobagem. Na filatelia mundial, onde esses personalizáveis já viraram igualmente uma praga, o que importa é o design-base, ou seja, o “modelo”. O desenho personalizável, onde qualquer um pode colocar o que quiser, não tem importância alguma. Pode ser o que for, a cotação será a mesma.



Não acredita? Consulte os catálogos mundiais, tais como Scott, Yvert et Tellier, Michel, etc. Nos mesmos só constam os “modelos”, e não cada personalizado que o correio emite por contrato publicitário com algum artista ou empresa, ou que algum particular manda confeccionar.

Novamente, o que importa é o MODELO, A BASE IMUTÁVEL comum a todos eles, para a classificação, ou seja, são as diferenças no logotipo do correio (antigo e novo), gomados ou autoadesivos, as diferenças de formato, etc. Aquilo que é OFICIALMENTE criado e tal qual está no Edital. 

Ficar adquirindo 10, ou 20 personalizados de mesmo modelo, mas diferentes estampas particulares, com propagandas comerciais, quando a intenção é ter apenas um ano completo das emissões, e não a coleção específica dessas coisas, é ter, aos olhos da filatelia mundial, selos idênticos, e alguns de péssimo gosto como selo do Luan Santana, selo de Loja Maçônica… Tenha dó!

Eu também guardo os que caem nas minhas mãos, vindos de alguma troca ou correspondência recebida, mas em um classificador à parte somente pra eles, nunca junto aos anos completos ou à coleção principal, exceto quando de seu lançamento, e aí a estampa particular pode ser qualquer uma. Ficar comprando cada estampa diferente e PARTICULAR que surge, é jogar dinheiro fora, que poderia estar sendo investido em boas peças clássicas e com real valor histórico e cultural.

Mas, claro, estas são apenas as minhas opiniões particulares, e cada um cuida da sua coleção e do seu investimento como achar melhor…

03 fevereiro 2019

Haiti: Um Escândalo Filatélico


No Catálogo MICHEL do Haiti, nas páginas dos selos emitidos em 1973, encontramos a seguinte nota:

Die vormals katalogisierten Sätze "Weltraumforschung", "U.P.U.", und "Audubon-Gemälde" waren ohne Zustimmung der Postverwaltung von Haiti produziert worden. Da es sich demnach nicht um frankaturgültige Marken handelt, wurden sie aus der Katalogisierung herausgenommen.

A qual podemos traduzir como:

As séries catalogadas anteriormente "Exploração Espacial", "U.P.U." e "Pinturas de Audubon " foram produzidas sem a permissão dos Correios do Haiti. Como esses selos não são válidos para postagem, eles foram removidos do catálogo.

Recentemente adquiri um conjunto com 23 selos da série “Pinturas de Audubon”. São selos muito bonitos, variando em denominação entre 5 centavos e 10 Gourdes.




Não consegui ainda acrescentar à minha coleção os exemplares da série “U.P.U.”, e somente consegui até hoje um único exemplar da série “Exploração Espacial”.



Mas a história por trás desses selos é surpreendente: Os mesmos foram rapidamente retirados de circulação, devido a um grande escândalo envolvendo a Família Duvalier (que controlava o Haiti na época), e um ou dois Ministros do governo. Segue-se também um julgamento sensacional. À época, apareceu também, no jornal «The New York Times» um cartoon representando Simone Duvalier (esposa do ditador haitiano François "Papa Doc" Duvalier) levantando-se para protestar contra sua inocência, mas com um grande número de selos caindo de baixo (!) de seu vestido.

O que aconteceu exatamente, e o que fizeram de errado? Provavelmente a ganância esteve no centro do caso, mas alguém realmente conseguiu ganhar dinheiro com isso?

O Haiti dos Duvaliers era repleto de prisões e prisioneiros, crueldade, tortura, execuções sumárias e mortes violentas. Havia um grande desprezo pelos direitos humanos, a covardia conquistara a moralidade e a decência. Era também um centro de ganância, corrupção e perversão de valores, uma minoria de ricos que dominavam o governo e os indivíduos da população, minando-os de toda direção e valor moral.

O escândalo do selo “Pinturas de Audubon” de 1975, ilustra bem a que ponto os líderes do Haiti iriam em sua busca frenética por dinheiro fácil. O escândalo foi um crime quase perfeito, e as mais inesperadas artimanhas foram reveladas.

Os arquitetos do escândalo do selo foram a irmã de Jean-Claude Duvalier (a.k.a. “baby doc”, ditador do Haiti de 1971 a 1976), Nicole Duvalier, o seu embaixador na Espanha, general Claude Raymon, o ex-chefe de gabinete, Franck Sterling, o chefe da Receita Federal, Gabriel Brunet, o chefe de segurança do aeroporto de Porto Príncipe, e Eugene “Sonson” Maximilien, cônsul do Haiti em Miami. O próprio Jean-Claude foi excluído das acusações de fraude, e de fato sua irmã Nicole avisou aos demais que eles seriam homens mortos, caso algum deles revelasse seu papel no caso.

O esquema era simples: Selos haitianos falsos, com excelentes desenhos de aquarelas de aves do naturalista franco-americano Jean-Jacques Audubon, foram impressos na Russia e inseridos fraudulentamente nos mercados mundiais de filatelia.

No entanto, as sociedades filatélicas exigem autenticação de todos os selos que promovem. Os criminosos resolveram esse obstáculo subornando o diretor da Imprensa Estatal para imprimir uma única edição do Diário Oficial do Governo do Haiti, chamado “Moniteur”, anunciando os selos Audubon e validando-os com a assinatura forjada do funcionário apropriado (Vice-Ministro) do Ministério do Comércio do Haiti.

A Sociedade Filatélica da Suiça – uma das mais sérias do mundo – estava satisfeita com o «Moniteur» aparentemente genuíno, endossou o lançamento da série Audubon, e começou a anunciá-lo aos colecionadores de todo o mundo. Os criminosos subornaram funcionários dos correios haitianos para autenticar os selos com carimbos de primeiro dia de emissão. Depois entregaram as folhas de selos a um empresário de Miami Springs para vendê-los, e começaram a arrecadar pequenas fortunas. A parte de Nicole Duvalier, US$ 4 milhões, foi a maior.

Porém, um ávido colecionador de selos haitianos, que era também advogado do Ministério do Comércio (responsável por aprovar todas as emissões de selos) recebeu um anúncio dos selos Audubon. Perplexo e desconfiado, ele notificou a Sociedade Filatélica Suiça, que lhe enviou uma cópia do falso «Moniteur». O funcionário cuja assinatura fora forjada negou qualquer conhecimento do «Moniteur» e dos selos, e logo surgiu um escândalo nacional e depois internacional.

Oito pessoas foram presas em 8 de Março de 1975 e acusadas de envolvimento na assinatura falsificada do Vice-Ministro do Comércio e da Indústria, Henri Bayard, em um documento autorizando a empresa J. & H. Stolow Inc., de Nova  York, a divulgar a maravilhosa série de selos Audubon. No mesmo dia, o chefe de Bayard, o Ministro do Comércio e Indústria, Serge Fourcand, foi demitido e colocado sob prisão domiciliar.

O jornal «Le Matin», de 9 de Abril (antes do julgamento) informou que os cúmplices haitianos receberam em torno de US$ 23 milhões em lucros dos selos, sendo isso apenas 20% do total da venda.

O julgamento dos 13 acusados, entre eles Fourcand, Frantz Leroy e Eugene Maximilien (este, à revelia), se iniciou em 26 de Agosto, e terminou em 11 de Setembro, e foi televisionado ao vivo no Haiti, sendo a primeira exibição pública de corrupção sob o governo dos Duvaliers.

Os conselheiros de Jean-Claude Duvalier convenceram-no de que um julgamento público era essencial para acalmar a desaprovação internacional, e assim, no primeiro julgamento televisivo ao vivo no Haiti, uma falange de autoridades duvalieristas confessaram sua culpa, acusaram seus companheiros, e foram condenados à prisão.

O veredito do julgamento foi entregue em 19 de Setembro: Fourcand, Pierre-Richard Maximilien e Fritz Denis foram “libertados por falta de provas”. Leroy foi condenado a 7 anos de trabalhos forçados por falsificação, e sua esposa Marlene, a 2 anos. O irmão de Leroy, Guy e René Exume,  foram apenados em 3 anos de trabalhos forçados por cumplicidade. Todos os quatro foram multados em US$ 14.000 cada um, e posteriormente em mais US$ 30.000. Outros cinco acusados foram absolvidos. A sentença sobre o ausente Eugene Maximilien foi anunciada mais tarde, em 5 de Novembro: 15 anos de trabalhos forçados, uma grande multa e apreensão de sua propriedade.

Os colecionadores internacionais ficaram satisfeitos, pois a justiça foi feita, e a publicidade resultante do julgamento deu valor adicional aos selos. Os principais atores do esquema escaparam ilesos, e o nome de Nicole Duvalier nunca foi mencionado.  

Fourcand fugiu para o exílio nos EUA com sua mãe em Maio de 1976. Quanto aos demais, alguns oficiais considerados culpados eram na verdade inocentes, mas o ditador Jean-Claude Duvalier os recompensou generosamente por sua concordância em assumirem a culpa e serem bodes expiatórios. Eles foram logo libertados de suas confortáveis celas e receberam muito dinheiro, empregos e carros.

O escândalo do selo Audubon prova mais uma vez que no Haiti, a ganância e a corrupção são recompensados.

Quanto aos selos em si: O “arrêté” original (Diário Oficial do Haiti, «Moniteur») indicava que a série consistia em 15 selos diferentes, além de um Bloco. Nos anos seguintes, o número de selos na série aumentou, de 15 para 23, 32, depois para 63 e finalmente, para 75.

O falso «Moniteur» foi usado também pela Liga Internacional de Colecionadores Postais (IPCL), uma divisão do «Calhoun’s Collectors Society» de Minneapolis, EUA, para documentar a “legitimidade” da emissão. Essa “sociedade” era na verdade um comerciante de selos de folha de ouro, via mala direta, e que faliu em 1984.

Em várias oportunidades, durante o curso de 1976, selos novos da série Audubon, bem como envelopes de 1º dia regulares e até mesmo registrados, foram oferecidos a venda, presumivelmente de boa fé, pela J & H Stolow Inc. O preço estimado de um conjunto de envelopes de 1º dia foi de US$ 45. Um conjunto de 3 envelopes sem carimbo de 1º dia, com 23 valores diferentes, estimados em US$ 15, foi comprado à época por correspondência da empresa por US$ 3,50. O catálogo de Stolow oferecia esses mesmos selos por US$ 6.

As investigações realizadas pelo inspetor postal J.T. Murphy, de Nova York, bem como pelo «Stamp News», editado por Linns, em 1975, não encontraram evidências de irregularidades por parte da firma Stolow contra o governo do Haiti. A firma J & H Stolow atuou como agente responsável por organizar a impressão dessa série Audubon, bem como aproximadamente 65 outras séries comemorativas do Haiti entre 1958 e 1963.

É mais do que coincidência que o primeiro contrato da Stolow coincidiu com a inauguração da era moderna na filatelia haitiana, com selos CTO (Cancelled-to-Order), ou cancelados sob encomenda. Embora essa política possa ter fornecido selos baratos e atraentes para o jovem colecionador, prejudicou muito a reputação filatélica do Haiti. A política do CTO tornou muito mais fácil para um distribuidor encurralar o mercado de um determinado valor, permitindo que fossem comprados selos com valor inferior ao valor de face. Não querendo se sentir explorados, muitos colecionadores deixaram de coletar emissões modernas do Haiti nesse momento. Além disso, muitos outros terminaram suas novas assinaturas de emissão, não querendo enriquecer um ditador implacável e um comerciante inescrupuloso.

Em defesa dessa emissão, deve-se observar que a mesma é bastante atraente, embora um pouco longa demais. A série é composta por 75 selos, com 15 designs diferentes. Por uma perspectiva histórica, esses 45 selos ordinários e 30 para o correio aéreo são uma série interessante, por conta do escândalo que resultou. Apesar de uma suposta impressão de 1 milhão de selos de cada valor, o conjunto completo não estava prontamente disponível.

Apesar de uma referência no «Stamp News» de Linns (2 de Setembro de 1981), de que a série foi “produzida no Haiti”, o autor é de opinião de que os selos foram impressos no exterior, pois à época as instalações de impressão do Haiti não eram capazes da qualidade de produção que os selos exibem. Os selos, multicoloridos, foram impressos por Fotogravura, e depois descobriu-se que foram impressos na Russia.

22 janeiro 2019

Verificar Filigrana em Selos Postais

Filigrana é uma marca d’água impressa no papel do selo postal ainda durante o seu processo de fabricação. A mesma pode ser letras ou desenhos, ou ambos, e existe como medida de segurança contra falsificações, similar ao que existe em cédulas bancárias.
 
As vezes há selos de uma mesma série impressos com diferentes filigranas, e essa diferença é crucial para a correta identificação, classificação e cotação dos selos.
 
Algumas vezes ocorre de uma filigrana ser facilmente vista apenas observando o verso não impresso de um selo. Mas, frequentemente, na imensa maioria dos casos, isso não é possível.
 
Existem duas maneiras de se verificar a filigrana de um selo.
 
A PRIMEIRA, utilizamos o FILIGRANOSCÓPIO, que nada mais é que um pequeno recipiente de cor preta, de plástico ou vidro.
 
 
Colocamos o selo no filigranoscópio com o verso virado pra cima e pingamos algumas gotas de Benzina Retificada no mesmo, apenas o suficiente para saturar completamente o selo, e revelando assim a filigrana.
 
 
Na falta da benzina retificada (não serve a benzina comum!), por ser um produto de venda controlada e difícil de encontrar, podemos utilizar fluido de isqueiro, desses de lata, vendido em tabacarias. (Obs.: Não confunda com diluentes para pintura, como Thinner, ou Aguarrás, e não use álcool ou qualquer outro produto, sob pena de desbotar as cores e arruinar os selos).
 
Tanto a Benzina quanto o fluido de isqueiro evaporam em poucos instantes, e não prejudicam a GOMA dos selos novos.
 
 
Porém, é um método perigoso para alguns selos. Caso o filatelista entenda pouco de métodos de impressão de selos, e menos ainda de suas tintas, será preciso averiguar no catálogo se a emissão contém avisos sobre a utilização de benzina. O único catálogo que dá essa informação é o MICHEL (e este é mais uma razão pela qual o utilizo em minha coleção, em detrimento dos fraquíssimos Scott e Yvert et Tellier). Geralmente são selos modernos impressos em offset de má qualidade, ou selos antigos impressos em FOTOGRAVURA (RaTdr.) ou com tintas frágeis (feitas com anilina, ou como nos modernos, com dourados e prateados) que se desbotam, alteram ou desvanecem com líquidos (mesmo com água), ou em papéis nativos (fabricados localmente) muito frágeis. Porém há exceções.
 
Além disso, esses líquidos são derivados do petróleo, altamente inflamáveis, altamente voláteis e de utilização muito perigosa para a saúde. A inalação dos vapores tóxicos é altamente prejudicial, cancerígena, e a ingestão, mesmo em pequena quantidade, é FATAL.
 
Temos que considerar o fato de que CRIANÇAS também colecionam selos, e não lhes deve ser permitido manusear tais líquidos sob nenhuma hipótese, nem mesmo sob supervisão de um adulto.

Algumas grandes marcas de produtos filatélicos também comercializam fluidos para averiguação de filigranas que, dizem, ser mais seguros que a Benzina Retificada ou o fluido de isqueiro. De todo modo, são produtos importados, e seu preço é proibitivo (devido as altíssimas taxas de importação impostas pelo governo brasileiro), e não deixa de ser um produto químico perigoso.
 

 

A SEGUNDA maneira, que é segura, e que eu recomendo vivamente a todos que queiram ter o prazer de colecionar selos e ao mesmo tempo preservar a saúde, é utilizando um aparelho verificador de filigrana. Assistam ao vídeo abaixo pra entender o funcionamento desse aparelho:
 
 
 
 
 
O Leuchtturm Sherlock pode ser encontrado a venda com o amigo Nélio Oliveira, da Farol Alemão Coleções, o distribuidor oficial da Leuchtturm no Brasil. Ou direto pelo Whatsapp: (99) 98855-0000.
 
Não esqueçam de se inscrever no canal e deixar um like, assim como comentários em caso de dúvidas.

14 novembro 2018

Sudão: Identificando uma falsificação


Selo emitido pelo Egito em 1889, com sobrecarga «SUDÃO» em árabe e em francês, para ser utilizado no Sudão Anglo-Egípcio a partir de 1897. Catálogo MICHEL Band 4 Nordafrika: Sudan MiNr. 8.

O selo egípcio comum, carimbado, cota € 1, enquanto o utilizado no Sudão, com a sobrecarga, vale € 50 carimbado, portanto vale a pena olhá-lo mais de perto.

Imediatamente, percebo que o carimbo obliterador tem a data de 22 XII 03, que faz parte do período de utilização desse selo, mas no carimbo consta a inscrição «CAIR», ou seja, cidade do Cairo, no Egito. Muito suspeito, pois os selos sudaneses não foram utilizados no Cairo.



Olhando mais de perto, com o auxílio de um microscópio, percebo que a sobrecarga SOUDAN está POR CIMA do carimbo obliterador do correio, o que é impossível nos exemplares originais.

Conclusão: Selo egípcio original (MiNr. 39), carimbo obliterador original (o selo foi usado no Cairo), sobrecarga SOUDAN completamente FALSA, fabricada para enganar o colecionador.



Este foi o microscópio utilizado na detecção dessa falsificação. Ao meu ver, este é um acessório indispensável na Filatelia.

29 abril 2018

Organizando a coleção: Parte 7 – A arrumação da coleção nos Classificadores

Existe um fator a ser considerado: Os filatelistas, as Casas Filatélicas e comerciantes em geral organizam sua coleção ou vendem seus produtos filatélicos catalogados de acordo com um dos catálogos nacionais ou internacionais mais utilizados, à saber: Para selos do Brasil, usam o Catálogo RHM, e pros estrangeiros, usam principalmente o Catálogo Yvert et Tellier, além do Catálogo Michel, e esporadicamente, o catálogo Scott. O mesmo selo irá possuir numerações diferentes nesses catálogos, e além do mais, alguns desses catálogos podem listar variedades que não constam em outros (p.ex., filigranas invertidas, nuances de cor, denteações diferentes, etc).

O ponto pacífico e (quase) sempre comum entre todos os catálogos é o ANO DE EMISSÃO das peças.

Portanto, é com base no ANO DE EMISSÃO que eu organizo a minha coleção, e não pela numeração de determinado catálogo.

O Catálogo MICHEL é em minha opinião o mais completo e mais preciso, além do que o mesmo dá destaque, em suas páginas, aos anos de emissão. Portanto sempre o utilizo como base primária pra catalogação, porém sempre de olho nos outros catálogos, especialmente pros selos regulares.

Como organizar desta forma? Muito simples: Utilizando etiquetas indicando apenas isso: o ANO DE EMISSÃO.

Para emissões que possuem variedades dentro de um mesmo ano, insiro pequenas etiquetas na qual anoto de forma manuscrita qual a variedade.


Como são as etiquetas: Em dois tamanhos:

1 – Etiqueta de ANO: Tamanho 2,3cm x 0,7cm.

2 – Etiqueta de VARIEDADE: Tamanho 2,3cm x 0,3cm.


Segue abaixo o meu método:


Papel Canson Acid-Free (Livre de Ácido) tamanho A4.
Existe em várias cores. Opto pelo colorido ao invés do branco.
Gosto da cor laranja cenoura.


Com a guilhotina refiladora, corto tiras com 2,3cm de altura.
Esta é a altura dos bolsinhos dos classificadores.


Uma tira já cortada.


Corto algumas tiras em 0,7cm, fazendo assim as etiquetas grandes onde anoto o ANO DE EMISSÃO, e outras em 0,3cm onde anoto as VARIEDADES.


Tamanho das etiquetas em comparação com um selo húngaro bastante abundante nas coleções.


Outro dia, passeando em uma livraria, encontrei esta caixinha em forma de livro, cuja capa ilustra um selo postal francês. Comprei imediatamente, e a utilizo para guardar o stock de etiquetas.


Guardo as etiquetas misturadas mesmo, junto à pinça e a lapiseira que utilizo para fazer as anotações. Um ponto importante: NÃO USAR CANETA, muito menos tinteiro. Se houver alguma umidade, a tinta poderá sangrar e manchar os selos. Use sempre LÁPIS ou LAPISEIRA!


Exemplo de utilização em selos da Dinamarca:
Na segunda linha, nos selos do Rei Frederik IX. Há dois selos vermelhos de valor facial de 35 ore, no entanto um foi emitido com papel normal e outro em papel fluorescente. Anotei em alemão «Normales Papier» e «Fluor».


Exemplo de utilização na coleção da Suiça:
Veja a terceira linha, emissões do ano de 1924 «Wappenschild», (Brasão), que existe em três papéis diferentes: «Normales Papier», ou papel normal, «Gestrichenes Papier», ou papel revestido com gesso, e «Gestrichenes Grill», papel revestido com um “Grill” impresso à seco em alto relevo na goma.


E aqui, finalmente, o exemplo de como NÃO fazer as coisas: Nestes selos da Irlanda disponíveis a venda em uma casa filatélica, foi utilizado um principio parecido, porém deixando espaços para os selos faltantes, e inserindo pequenas etiquetas com a numeração do catálogo. Um bom método, inclusive, excelente para quem coleciona poucos países.

Porém, na filatelia, assim como tudo na vida, o barato sempre sai caro. Foram utilizadas etiquetas recortadas de papel sulfite comum (vulgo papel Chamex de escritório), que NÃO É livre de ácido, e o resultado, após algum tempo, salta aos olhos: ABUNDANTE FERRUGEM, estragando o papel e os bolsinhos plásticos dos classificadores, e contaminando os selos. Não use papel comum, use papel livre de ácido!

Toda a minha coleção está assim organizada, em classificadores, e com estas pequenas etiquetas. Com o tempo estou inserindo fitas protetoras nos selos, especialmente nos que são novos com goma, evitando assim ao máximo ao aparecimento da ferrugem.

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